
Você já ficou sem eletricidade em casa? Parece que a gente voltou 50 anos no tempo, não é mesmo? Nesses momentos, percebemos como quase tudo que fazemos depende de energia elétrica. Agora, imagine um mundo inteiro sem eletricidade... um caos total, certo?
É por isso que hoje existe uma corrida para substituir os combustíveis fósseis, que além de poluírem bastante, têm reservas limitadas. Mas, ao contrário do que muitos pensam, a nova fonte de energia não vem do céu, e sim do que está bem debaixo dos nossos pés.
Dentro do núcleo de ferro e níquel da Terra, a temperatura chega a impressionantes 9.392 graus Fahrenheit, cerca de cinco vezes mais quente que a lava de um vulcão. Esse calor se dissipa até a crosta terrestre, resultado da decomposição de elementos radioativos e do calor remanescente da formação violenta do planeta. E o melhor: esse calor não vai se esgotar por bilhões de anos!
Explorar essa energia geotérmica seria como ganhar um presente infinito. De acordo com o engenheiro do MIT, Paul Woskov, se conseguíssemos capturar apenas 0,1% desse calor, poderíamos abastecer o mundo por mais de 20 milhões de anos. A questão é: como chegar lá?
A perfuração tradicional enfrenta muitos desafios. A tentativa mais profunda foi o Poço Superprofundo de Kola, na Rússia, que em 1989 alcançou 12 km de profundidade, mas a temperatura extrema derreteu a broca. Para superar isso, pesquisadores estão apostando em uma tecnologia inovadora que usa feixes de ondas milimétricas, semelhantes aos utilizados em reatores de fusão nuclear. Esse método é capaz de vaporizar as rochas e abrir caminho para alcançar camadas mais profundas da crosta terrestre.
A startup Quaise Energy, em parceria com o MIT, está desenvolvendo essa tecnologia. Com um equipamento chamado girotron, que emite ondas poderosas, eles planejam perfurar até 20 km de profundidade em apenas 100 dias. A essa profundidade, a temperatura seria suficiente para gerar energia geotérmica de forma constante e ilimitada.
Ao contrário da energia solar e eólica, que dependem do clima, a energia geotérmica funciona 24 horas por dia. Com essa tecnologia, seria possível substituir os combustíveis fósseis e abastecer o mundo de forma limpa e sustentável.
Parece coisa de ficção científica, mas está cada vez mais perto de se tornar realidade!